Conceito de Art Buliding chega sábado a Portugal


A protecção das obras de reabilitação de um edifício no Chiado serve de base para uma instalação artística temporária de grandes dimensões, fazendo assim surgir pela primeira vez em Portugal o conceito Art Building.

Quinta-feira, pelas 22:00, vai «cair o pano» que tapa o nº27 da Rua Victor Cordon, prédio que está a ser reabilitado, para deixar a descoberto a obra WAR/WORK, do artista plástico Tiago Baptista.

A ideia partiu de um grupo de sociedades que desenvolvem projectos imobiliários, muitos deles ligados à reabilitação urbana.

«Sentimos a necessidade de fazer mais pela cidade, dar algo à população em troca dos transtornos causados pela execução das obras. Já que não se pode eliminar o transtorno, podemos minimizá-lo com esta iniciativa», explicou à Lusa José Carlos Queirós Carvalho, administrador da Mainside Investments.

O grupo de sociedades pretende criar um «Museu à escala da cidade», utilizando o conceito Art Building nos vários projectos que tem em realização em zonas de Lisboa como os Restauradores, Alcântara, Santos, Santa Catarina, Bairro Alto e o Chiado.

Depois de ter sido escolhida, através de um concurso, a obra que iria «embelezar» o nº27 da Rua Victor Cordon, chegou a altura de pedir o licenciamento da iniciativa à Câmara Municipal de Lisboa, que demorou cerca de seis meses a dar uma resposta.

«A nossa ideia era começar já com outras intervenções, mas com os atrasos na chegada do licenciamento acabámos por deixar arrastar o processo. No entanto, esperamos que no mais curto espaço de tempo seja exposta outra instalação numa obra dos Restauradores», explicou o responsável à Lusa.

O edifício do Chiado vai estar coberto de redes de camuflagem, «mas não de forma evidente, porque só de perto se perceberá o que é», e na esquina do prédio serão colocadas duas palavras em néon: WAR e WORK (guerra e trabalho), revelou à Lusa Tiago Baptista, o artista plástico responsável pela obra.

«Escolhi as duas palavras com grafia próxima, que à priori têm sentidos opostos, mas que se juntam em muita coisa. São duas coisas que trazem mudança, revolução, e há o trabalho de guerra, como o dos mercenários. Quero que as pessoas pensem sobre o assunto», explicou.

Para Tiago Baptista esta é uma iniciativa «excelente» e «uma questão de arte pública», que foi fruto de um concurso e não um «trabalho encomendado.

«Em Portugal a arte pública está muito confinada ao poder local, às estátuas das rotundas. As cidades precisam de outro género de arte pública», disse à Lusa.


Diário Digital / Lusa

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Diário Digital.pt, 23-05-2007